Quem anda reclamando dos juízes no atual Campeonato Brasileiro não tem ideia dos absurdos que já aconteceram em outros tempos.
Conta-se que na hora de tirar a sorte antes de um jogo entre o São Paulo e o Belenenses, de Portugal, Armando Marques, talvez o mais famoso árbitro brasileiro de todos os tempos, teria perguntado ao capitão Quaresma, do time português:— Vai ser cara ou coroa? — E como vou saber, se ainda não jogaste a moeda para o ar? — teria respondido o jogador.Na verdade, o São Paulo enfrentou o Belenenses uma única vez, durante uma excursão a Portugal. Naquele jogo, o árbitro não foi Armando Marques, e sim o português Mário Ribeiro Sanches. Além disso, na escalação do Belenenses não aparece o nome de Quaresma. Mas que a história é boa, é...
Outra ótima historinha que, infelizmente, não resiste a uma pesquisa mais aprofundada: nos anos 40, o São Paulo de Leônidas da Silva teria ido ao Recife jogar contra o Sport. E o juiz não deixava Leônidas avançar. Era só o Diamante Negro pegar na bola e lá vinha um apito, marcando falta, toque, impedimento, qualquer coisa que o impedisse de continuar a jogada.Lá pelo segundo tempo, ainda 0 a 0, o juiz perde o apito, que some na grama. Enquanto tateava o gramado na busca desesperada de seu instrumento de trabalho, o árbitro via Leônidas receber a bola e partir driblando área adentro. Então, desesperado, desistiu de procurar o apito e saiu gritando:— Perdi meu apito! Agarrem esse crioulo que ele vai fazer o gol!Na verdade, Sport e São Paulo só se enfrentaram pela primeira vez em 1937, antes da chegada de Leônidas ao São Paulo, e depois em 1958, quando o craque já havia pendurado as chuteiras.
Oração de Carlito Rocha (1894-1981), o histórico (e folclórico) presidente do Botafogo, destinada à arbitragem antes dos clássicos mais importantes:— Minha Nossa Senhora Aparecida, fazei com que esse ladrão roube hoje para nós!
Fonte: Celso Unzelte - jornalista e pesquisador, é professor de jornalismo e comentarista da ESPN Brasil

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